Sobre o Tempo vivido..
Vivemos querendo vencer o tempo. Como se houvesse vitória ou derrota nesta relação. Preso à inevitável efemeridade das coisas que, por essência, efêmeras são. E nessa conta de subtração dos dias que nos restos vamos resmungando enquanto perdemos nossas misérias de dias cinzas e noites techinocolores.
Então o calendário se verte no ábaco da perda da vida que se quantifica em horas, dias, meses, anos... como se a distância do percurso fosse aquilo que determinasse a beleza do caminho. A Terra segue girando em torno de si e em torno do Sol todos os relógios do mundo, aqueles que giram e aqueles que pulsam, fazendo do tempo o movimento do movimento e o pulsar do pulsar, uma simultaneidade de giros, e ter os olhos cheios de tanta “realidade” nos torna cegos de vida. Sim, Vida! O tempo talvez seja uma das características da vida, mas não aquilo que à determina. Viver sem medo do fim. Sem ver o fim... sem esperar um fim... viver o movimento, viver o caminho. Buscar a imortalidade só nos fará mais mortais. Todo relógio um dia vai parar, a terra um dia vai parar, eu parei... eu parei e olhei dentro de olhos que fizeram os relógios pararem, enlouquecerem, girarem velozes, girarem bem lento... congelarem. O noites lentas, dias na velocidade da luz. Esticava e encurtava o tempo, encurtava caminhos e alongava horizontes, eram passos e olhares... efeito da droga mais potente de todos os tempos, pasmem: o amor. Cada beijo, cada olhar, cada abraço ganhou ecos para toda vida, infinitos ecos, que como balas perdidas saíram a ricochetear no peito, na boca, nos olhos, zombando da pobre matemática do tempo. Estes ecos fazem de horas dias, de dias meses, de meses anos e de cada segundo uma eternidade. Então como posso dizer quantos passos dei até aqui? Porque o prazer que senti em cada passo que dei eu o experimento novamente a cada instante que lembro, a cada novo passo que dou. Definitivamente não, um calendário não vai dar conta de mensurar a felicidade que é amar e ser amado. Mas pode ser um boa desculpa para te ver, pra tomar um vinho, comer uma pizza, ir ao cinema, caminhar pela cidade fria, dançar numa esquina deserta, rir dos ébrios da madrugada, e ser um ébrio do hoje e do ontem, abstêmio do amanhã, comemorando diariamente por todos os dias que estive ao teu lado e cada instante que te tenho em mim... tempo... o tempo é uma matemática muito pobre para somar você e eu.
2008-07-06

