Monday, April 02, 2007

Poesias, ponta-pés, cores e maus-agouros


O mais dificil na vida é conseguir enxergar o próprio caminho. Não o caminho como um linha reta que zigzagueia nos parágrafos da vida na espera de um final que equilibre e justifique cada capítulo vencido e ser mumificado por uma capadura. Falo daquele caminho feito de passos, feito de agora, feito de hojes. Dar passos sem tomar como parâmetros tudo o que já foi experimentado, e muito menos guiando-se pela luz ofuscante de um futuro que de futuro, na metafísica das cousas nada tem. Caminho, feito de suor e lágrima como a canção regional mais “não-original” dos últimos anos. Caminho feitos de passos trôpegos e de acasos. Feitos de ira e carência. Feito de infinitos pontos de vista e de fé. De poesias, ponta-pés, cores e maus-agouros. Um caminho humano rascunhado nas pequenas decisões e creditado às grandes decisões. Escolher a direção nunca pode ser maior que luta constante e sobre-humana para não se perder. E não engane-se em achar que perder-se seja um fraqueza, perder-se, ser perdido, reconhecer-se perdido é a grande virtude, é a força motriz do ser, é o encontrar o verdadeiro caminhos, tocar de improviso a canção cujas notas a vida já te havia impresso na alma. É não ser o melhor, mas ser o melhor você. Não saber de onde se veio e nem imaginar para onde se vai, mas saber que se está indo, ser o equilíbrio do movimento incessante e ser o desequilibrio na diferença dos passos e dos espaços. Ser vivo e viver e contar com o acaso da morte para ser linha. Ser um e ser eu para ser ponto.E no labirinto das vozes e sons ser o ecco de sí mesmo na tentativa de preceder e anunciar própria existência com arranjos latinos tocados na trombeta do apocalípse, e depois ainda assim ser diferente do próprio ecco que o precedera. Em suma não é um caminho de uma ou duas retas, quiçá curvas, é um caminho feito de potência e ato, feito de tudo que á vida pode dar ou tirar, feito de pausa, de 3 pontos e silêncio após uma tempestade verbal de incerteza e sentimentos...




(E nada de aplausos!)





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Américo de Araujo Pastor Junior
2007-04-02